Power Automate vs Make: Qual Ferramenta Escolher em 2026?
Preço, integrações, curva de aprendizado e limites reais. Um comparativo honesto entre Power Automate e Make, feito por quem usa as duas em produção.

Alpha Consultoria
Especialistas em Transformação Digital
Atualizado em 10 de agosto de 2026
Power Automate e Make: duas filosofias diferentes de automação
Power Automate e Make são plataformas de automação no-code que conectam sistemas diferentes e executam tarefas repetitivas sem intervenção humana: mover dados entre aplicativos, disparar aprovações, gerar relatórios, atualizar planilhas e notificar equipes. A diferença central entre elas não está na lista de recursos, está na origem. O Power Automate nasceu dentro do ecossistema Microsoft 365 e vive colado a ele. O Make (antigo Integromat) nasceu como integrador universal, agnóstico de fornecedor. Em 2026, essa distinção deixou de ser um detalhe técnico e virou decisão de arquitetura, porque escolher a ferramenta errada custa caro em licenças, em retrabalho e em automações que ninguém na empresa consegue manter depois.
Este artigo faz parte do nosso cluster de automação. Se você ainda está na etapa de mapear o que vale a pena automatizar, comece pelo guia completo de automação de processos empresariais. Aqui o recorte é mais direto: preço real, curva de aprendizado, integrações, limites e o cenário em que cada uma ganha.
Uma observação de transparência antes de começar. Na Alpha Consultoria usamos as duas plataformas em projetos ativos. Não temos preferência comercial por nenhuma delas, e é justamente por isso que conseguimos ser francos sobre onde cada uma decepciona.
Qual é a diferença real entre Power Automate e Make?
A diferença real é que o Power Automate otimiza para profundidade dentro da Microsoft, enquanto o Make otimiza para amplitude fora dela. Tudo o mais decorre disso.
Como funciona o Power Automate?
O Power Automate é o motor de automação da Power Platform, a camada low-code da Microsoft. Ele opera dentro da identidade corporativa da empresa: o mesmo login do Microsoft 365, as mesmas permissões, os mesmos grupos do Entra ID. Na prática, isso significa que uma automação enxerga exatamente o que o usuário enxerga, sem gambiarra de credencial.
Os fluxos são montados em uma sequência linear de gatilho e ações, com condições e loops. É um modelo simples de entender e um pouco engessado quando a lógica cresce. Existem três famílias de fluxo:
- Cloud flows: rodam na nuvem, disparados por evento (um arquivo novo no SharePoint, um e-mail recebido, um formulário respondido) ou por agendamento.
- Desktop flows (RPA): automatizam a interface de sistemas legados que não têm API, clicando e digitando como um usuário faria. Útil para ERPs antigos e sistemas de terceiros fechados.
- Fluxos de aprovação: um recurso nativo que resolve, com poucos cliques, algo que em outras ferramentas exige montar do zero.
Segundo o estudo Total Economic Impact conduzido pela Forrester Consulting a pedido da Microsoft, organizações que adotaram o Power Automate reportaram 199% de ROI em três anos, com o payback do investimento em menos de seis meses. A Microsoft também informa que a Power Platform ultrapassou 56 milhões de usuários ativos mensais, o que dá uma ideia do tamanho do ecossistema e da facilidade de encontrar profissionais e material de apoio.
Como funciona o Make?
O Make é um integrador visual em formato de cenário. Em vez de uma lista de passos, você desenha um fluxo com módulos conectados por linhas, e consegue ver o dado percorrendo o caminho em tempo real durante a execução. Para quem constrói integrações complexas, essa visualização é um ganho enorme de produtividade: você entende o fluxo olhando para ele.
O ponto forte do Make é a manipulação de dados. Ele lida com arrays, iterações, agregações e transformações de forma muito mais natural que o Power Automate. Se a sua automação precisa pegar um JSON aninhado de uma API, filtrar itens, agrupar e mandar o resultado consolidado para outro lugar, o Make faz isso em poucos módulos. No Power Automate, o mesmo trabalho costuma virar uma sequência de expressões que só o autor original entende.
O catálogo do Make passa de 2.000 aplicativos integrados, com forte presença de ferramentas fora do universo corporativo tradicional: Notion, Airtable, Typeform, Shopify, WhatsApp Business, ferramentas de marketing e dezenas de serviços de IA. Além disso, o módulo HTTP genérico permite falar com qualquer API REST, o que na prática elimina o conceito de "aplicativo não suportado".
Tabela comparativa: Power Automate vs Make
| Critério | Power Automate | Make |
|---|---|---|
| Origem | Microsoft, parte da Power Platform | Independente (antigo Integromat) |
| Modelo de cobrança | Por usuário ou por fluxo, mensal | Por operações executadas |
| Entrada de preço | A partir de ~US$ 15 por usuário/mês (plano Premium) | Plano gratuito com 1.000 operações/mês, pagos a partir de ~US$ 9/mês |
| Integrações | Mais de 1.000 conectores, profundidade máxima na Microsoft | Mais de 2.000 apps, amplitude máxima fora da Microsoft |
| Interface | Lista sequencial de ações | Canvas visual com módulos e conexões |
| Manipulação de dados | Limitada, depende de expressões | Excelente, nativa para arrays e transformações |
| RPA (sistemas legados) | Sim, com Power Automate Desktop | Não |
| Governança e compliance | Ambientes, DLP, trilha de auditoria, LGPD | Controles mais simples, adequados para times menores |
| Curva de aprendizado | Suave no básico, íngreme no avançado | Média no básico, consistente no avançado |
| Melhor cenário | Empresa já no Microsoft 365 | Stack heterogêneo, muitas APIs e SaaS diversos |
Os valores acima são referências de mercado e mudam conforme plano, moeda e contrato corporativo. Trate a tabela como orientação de ordem de grandeza, não como proposta comercial.
Quanto custa cada ferramenta na prática?
O custo real depende menos do preço de tabela e mais do modelo de cobrança, que é radicalmente diferente entre as duas.
Power Automate cobra por pessoa ou por processo. Você paga uma licença por usuário que executa automações premium, ou uma licença por fluxo quando a automação roda sozinha e atende a empresa inteira. O detalhe que mais gera surpresa: boa parte dos conectores considerados premium (bancos de dados SQL, Salesforce, HTTP genérico, entre outros) exige licença adicional, mesmo para quem já paga o Microsoft 365. Fluxos que usam apenas SharePoint, Outlook, Teams e OneDrive costumam estar cobertos pela licença existente.
Make cobra por operação. Cada módulo executado conta como uma operação. Um cenário com 8 módulos que roda 500 vezes por mês consome 4.000 operações. Esse modelo é excelente enquanto o volume é previsível e vira uma armadilha quando não é: um cenário mal desenhado, que faz uma chamada de API por item de uma lista de 3.000 registros, queima o pacote inteiro em uma tarde.
Um jeito prático de estimar antes de assinar qualquer coisa:
- Liste os processos candidatos e a frequência real de execução de cada um (por dia, semana ou mês).
- Conte quantas etapas cada processo tem de ponta a ponta.
- Multiplique frequência por etapas para chegar no volume mensal de operações. Esse número decide se o Make sai barato ou caro.
- Separe quantas pessoas de fato precisam criar e executar automações. Esse número decide o custo do Power Automate.
- Marque quais conectores são premium na Microsoft. Essa lista costuma ser a diferença entre "já está incluso" e "vai custar mais".
Para uma empresa de 40 pessoas em que apenas 3 analistas criam automações, o Power Automate premium sai por volta de US$ 45 por mês. Para uma operação de e-commerce que processa milhares de pedidos, o modelo por operação do Make pode escalar rápido e exige desenho cuidadoso desde o início.
Qual delas é mais fácil de aprender?
O Power Automate é mais fácil no começo e o Make é mais fácil no longo prazo. Essa inversão explica boa parte da frustração de quem escolhe pela primeira impressão.
Alguém do time financeiro consegue montar um fluxo básico de aprovação no Power Automate na primeira tarde, usando modelos prontos e a linguagem visual familiar do Microsoft 365. O problema aparece na terceira ou quarta automação, quando é preciso tratar listas, converter formatos ou lidar com erro. Aí a plataforma exige expressões da linguagem Power Fx e o salto de dificuldade é abrupto.
O Make pede mais na primeira semana. O conceito de cenário, módulo, iterador e agregador não é intuitivo para quem nunca viu. Em compensação, o que você aprende continua valendo à medida que os fluxos ficam complexos, porque a lógica é sempre a mesma.
O Gartner projeta que, até 2026, cerca de 80% dos produtos e serviços de tecnologia serão construídos por pessoas que não são profissionais de tecnologia. Esse movimento, conhecido como citizen development, é exatamente o que essas duas plataformas habilitam. Vale a leitura complementar sobre como o no-code e o low-code estão viabilizando sistemas empresariais sem programação.
Qual ferramenta escolher para cada cenário?
1. Sua empresa já usa Microsoft 365 no dia a dia
Escolha Power Automate. Se a operação vive em Teams, Outlook, Excel e SharePoint, a automação deve viver lá também. Você reaproveita identidade, permissões e políticas de segurança que já existem, sem criar um novo perímetro para o time de TI administrar. Empresas que mantêm uma intranet corporativa em SharePoint ganham ainda mais: aprovações, publicação de conteúdo, onboarding e solicitações internas se conectam direto às listas e bibliotecas do portal.
2. Seu stack é diverso e cheio de SaaS
Escolha Make. Marketing rodando em RD Station, vendas em Pipedrive, suporte em Zendesk, dados em Airtable, financeiro em uma API própria. Nesse cenário o Power Automate vira uma sucessão de conectores premium e chamadas HTTP mal acomodadas, enquanto o Make foi desenhado exatamente para isso.
3. Você precisa automatizar um sistema legado sem API
Escolha Power Automate. O componente de RPA para desktop consegue operar sistemas antigos pela própria interface, o que resolve casos em que simplesmente não existe outro caminho. O Make não cobre esse território.
4. A automação envolve transformação pesada de dados
Escolha Make. Consolidar relatórios de várias fontes, tratar arquivos, cruzar listas e gerar um resultado agregado é território natural do Make. Fazer o mesmo no Power Automate é possível, mas o custo de manutenção é maior.
5. Governança, auditoria e compliance são inegociáveis
Escolha Power Automate. Ambientes separados por área, políticas de prevenção de perda de dados, trilha de auditoria unificada com o restante do Microsoft 365 e alinhamento com as exigências da LGPD fazem diferença em empresas reguladas ou com times de segurança estruturados.
Power Automate e Make podem trabalhar juntas?
Sim, e em várias empresas essa é a configuração mais eficiente. As duas conversam por webhook e por API, então nada impede que cada uma faça o que faz melhor.
O padrão que mais vemos funcionar na prática:
- Power Automate como camada interna. Tudo que envolve colaborador, documento, aprovação e dado corporativo fica dentro do perímetro Microsoft, com governança e identidade unificadas.
- Make como camada externa. Tudo que envolve ferramentas de terceiros, APIs públicas, marketing e integrações pontuais fica no Make, onde é mais rápido de construir e mais barato de manter.
- Um ponto de contato claro entre as duas. Um webhook do Make dispara um fluxo no Power Automate, ou o contrário, com um contrato de dados documentado no meio.
O erro clássico é o oposto disso: empurrar uma ferramenta para um terreno em que ela é ruim, só para evitar contratar a segunda. O custo aparece meses depois, na forma de automações frágeis que quebram sem aviso e que ninguém quer tocar.
Perguntas frequentes
Power Automate já vem incluso no Microsoft 365?
Parcialmente. Os planos comerciais do Microsoft 365 incluem uma versão do Power Automate que cobre conectores padrão, o suficiente para automações entre SharePoint, Outlook, Teams, OneDrive e Forms. Recursos premium (conectores para bancos de dados, sistemas de terceiros, RPA de desktop e chamadas HTTP genéricas) exigem licença adicional. Na prática, a maior parte das automações internas de comunicação, documentos e aprovações cabe no que a empresa já paga.
Make é mais barato que Power Automate?
Depende do volume, não do preço de tabela. O Make tende a sair mais barato quando poucas pessoas criam automações e o volume de execuções é moderado. O Power Automate tende a sair mais barato quando o volume é alto e previsível, porque a cobrança por usuário ou por fluxo não cresce com a quantidade de execuções. Um mesmo processo pode custar três vezes mais em uma plataforma do que na outra, dependendo apenas de quantas vezes ele roda por mês.
Preciso saber programar para usar essas ferramentas?
Não para começar, sim para ir longe. Ambas são no-code na superfície e permitem montar automações úteis sem escrever uma linha de código. A partir de certo ponto, entretanto, entender lógica de programação (condições, laços, tratamento de erro, estrutura de dados) deixa de ser diferencial e passa a ser requisito. É por isso que muitas empresas combinam times internos treinados para o dia a dia com apoio externo para os fluxos críticos.
O que acontece quando uma automação falha?
As duas plataformas registram o erro, guardam o histórico de execução e permitem reexecutar o fluxo. A diferença está no que você faz com essa informação. Automação sem monitoramento é dívida técnica silenciosa: o fluxo para de rodar, ninguém percebe por semanas e alguém descobre quando o relatório do mês vem errado. Toda automação que sustenta processo crítico precisa de alerta ativo quando falha, e isso vale para qualquer ferramenta.
Vale a pena migrar automações de uma plataforma para a outra?
Raramente vale migrar tudo. Não existe conversão automática entre as duas, cada fluxo precisa ser reconstruído, e o esforço costuma superar o ganho quando as automações existentes funcionam. Faz sentido migrar quando o custo mensal está claramente desalinhado com o uso real, quando a empresa consolidou seu stack em um dos dois ecossistemas ou quando fluxos importantes viraram inmanteníveis. Nesses casos, migre por prioridade, começando pelos processos que mais doem.
Como decidir sem errar
Um roteiro curto que usamos em diagnóstico de clientes:
- Mapeie onde o trabalho já acontece. Se a resposta é Teams, Outlook e SharePoint, o Power Automate parte na frente por padrão.
- Conte as ferramentas fora da Microsoft. Acima de quatro ou cinco SaaS relevantes, o Make entra em jogo com força.
- Estime o volume mensal de execuções. Volume alto favorece o modelo por usuário. Volume baixo favorece o modelo por operação.
- Verifique se existe sistema legado sem API. Se existe, RPA é requisito, e isso aponta para o Power Automate.
- Pergunte quem vai manter. A ferramenta certa é a que o seu time consegue sustentar seis meses depois, não a que parece mais poderosa na demonstração.
Se após esses cinco passos a resposta ainda não estiver óbvia, provavelmente o cenário pede as duas em camadas diferentes, e isso está longe de ser um problema.
Na Alpha Consultoria, esse mapeamento é o primeiro passo de qualquer projeto de automação. Oferecemos um Diagnóstico Gratuito em que analisamos os processos da sua empresa, estimamos volume e custo em cada plataforma e apontamos onde a automação traz retorno mais rápido. Para empresas que já operam no Microsoft 365, esse diagnóstico costuma se conectar diretamente ao projeto de intranet corporativa em SharePoint, onde as automações ganham uma casa e param de viver espalhadas.
Conclusão
Power Automate e Make resolvem o mesmo problema por caminhos diferentes, e a escolha certa depende muito mais do contexto da sua empresa do que de qualquer comparação de recursos.
Os pontos que realmente importam:
- Power Automate vence quando a empresa já vive no Microsoft 365, quando governança e compliance pesam na decisão e quando existe sistema legado exigindo RPA.
- Make vence quando o stack é heterogêneo, quando há muita transformação de dados envolvida e quando a agilidade de construir integrações com dezenas de serviços diferentes é o fator crítico.
- O modelo de cobrança é o maior diferencial prático. Por usuário no Power Automate, por operação no Make. Estime seu volume antes de assinar, não depois.
- As duas coexistem bem em uma arquitetura de camadas, com o Power Automate cuidando do ambiente interno e o Make das integrações externas.
- A pergunta final não é qual é melhor, e sim qual o seu time consegue manter funcionando daqui a seis meses.
Automação boa é a que ninguém percebe, porque simplesmente funciona todo dia. Escolher a plataforma é só o começo: o que sustenta o resultado é desenhar o processo direito, monitorar as falhas e revisar periodicamente o que continua fazendo sentido.
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